O Processo de Inclusão III

Deficiência & Qualificação
  • Processo Inclusivo

    Integração Social
  • Mais difícil que inserir a pessoa com deficiência na escola talvez seja inseri-lo no mercado de trabalho. Para integrar uma pessoa com deficiência no mercado de trabalho, após a sua profissionalização, é necessário apresentá-la como uma pessoa com deficiência com capacidade para o trabalho em virtude de um treinamento especializado, respeitadas as suas limitações físicas, visuais, auditivas ou mentais.
    Esse é um assunto que preocupa a sociedade, o governo e as entidades não governamentais, pois todos esses segmentos juntos devem ter o dever e o comprometimento de criar condições para que a pessoa com deficiência possa ingressar no mercado de trabalho e progredir da melhor maneira e garantir nele a sua cidadania.
    De acordo com Néri, Carvalho e Costilla (2002) são as grandes empresas que absorvem a maior parte da mão de obra disponível no mercado, porém a Lei de Cotas não tem causado grande impacto nas empresas. Fatores como a alta competitividade, as poucas ofertas de emprego no setor formal e falta de informações dos empregadores sobre as deficiências, também são apontados pelos autores como responsáveis pela não eficácia desta política de cota.
    Segundo a Bíblia, todos os homens foram criados iguais à imagem e semelhança de Deus, porém não é isso que a humanidade tem demonstrado, pelo contrário o mais forte e os mais capazes de lidar com o meio sobrevivem, enquanto os mais fracos perecem. A própria religião, com toda sua forca cultural, ao colocar o homem como imagem e semelhança de Deus, ser perfeito inculcava a ideia da condição humana como incluindo perfeição física e mental e não sendo parecidos com Deus, os portadores de deficiência eram colocados postos a margem da condição humana (MAZZOTTA, 1982, p. 3). Segundo a autora Glat (1998), esta diferença acaba sendo um processo de seleção.
    Mesmo que hoje o mundo civilizado ou que se diz civilizado as pessoas com deficiência já não mais pereçam e nem sejam sacrificadas, podemos dizer que socialmente ainda são exterminadas. Exterminadas no sentido de serem excluídas do meio social por não estarem dentro dos padrões exigidos pela sociedade. Apesar de excluídos das responsabilidades sociais, são também excluídas dos privilégios oferecidas por ela.
    A autora Glat, afirma que este processo de seleção natural com o passar dos tempos tomou uma nova forma, passando de natural física para natural social, ou seja, formou-se um enorme contingente de indivíduos que conseguem sobreviver fisicamente, mas que por não terem condições físicas de lidar independentemente com o meio não sobreviveriam socialmente. As ações a serem desenvolvidas, devem ter como objetivo a construção de um contexto inclusivo de trabalho, envolvendo a implantação de serviços de apoio a pessoa com deficiência e ações de integração com a sociedade, que possa contribuir para eliminar barreiras sociais e físicas no ambiente e no local de trabalho. Essas ações junto às pessoas com deficiência visam à oferta de serviços diretos, voltados à formação profissional, à reabilitação profissional, o treinamento e a reciclagem de técnicos, visando garantir a eficácia dos serviços oferecidos. De acordo com Vash (1988) entre as razões que fazem com que o empresário não contrate a pessoa com deficiência está o preconceito, ou seja, uma dificuldade em acreditar que esta pessoa possa ser bem sucedida e exercer seu trabalho com sucesso. O desenvolvimento de ações permanentes junto aos órgãos públicos e legisladores se fazem necessários para garantir a atenção e a proteção aos direitos das pessoas com deficiência.
    Segundo Therborn (2000), sob o aspecto econômico da globalização, o mecanismo de produtividade cria oportunidades somente para os mais bem preparados. Esse modelo exige mobilidade e atualização permanente e aqueles que não conseguem acompanhá-lo têm as suas chances anuladas. Diante desse quadro, pode-se afirmar que as chances das pessoas com deficiência são mínimas, pois as atuais oportunidades de qualificação e atualização para esse grupo são ínfimas e não atendem à demanda de mercado.
    Num mundo atualmente competitivo, não são apenas os produtos, mas a imagem corporativa que tem caráter essencial, não somente em termos de marketing como no tocante a levantar capital, realizar fusões e obter vantagens no campo da produção de conhecimento, das políticas governamentais e da promoção dos valores culturais. O patrocínio corporativo das Artes, de universidades e de projetos filantrópicos é o lado prestigioso de uma escala de atividades que inclui tudo, de perdulárias e brochuras, relatórios sobre empresas e promotores de relações públicas a escândalos – desde que se mantenha constantemente o nome da empresa diante do público (HARVEY, 1992, P.152).
    São inúmeros degraus, obstáculos nas calçadas como camelôs, placas, pedras, a falta de rebaixamento dos meios-fios, falta de rampas de acesso, de ônibus, o acesso de degraus e a falta de espaço para acomodação de cadeiras de rodas. Para a pessoa com deficiência física tomar um ônibus na maioria das cidades do país, ele precisa contar com a boa vontade e ajuda de estranhos, para subir degraus, ajudar na cadeira de rodas, muitas vezes ele é impedido de tomar o ônibus por falta de uma política de infraestrutura para as ruas das cidades, para os locais públicos, como repartições, igrejas, bancos, escolas, para o transporte coletivo, tornam-se uma barreira às ações de inclusão e pessoa com deficiência no mercado de trabalho. É ai que deve começar o trabalho de adaptação do ambiente às limitações que, fatalmente, a pessoa com deficiência tem. Além disso, deve-se iniciar o processo de eliminação de barreiras físicas, muitas vezes vistas como empecilho para a contratação de pessoas com deficiência, e a promoção de adaptações no ambiente. 
    Desenvolver recursos de acessibilidade também pode significar combater (esses) preconceitos, pois, no momento em que lhe são dadas as condições para interagir e aprender, explicitando o seu pensamento, o indivíduo com deficiência mais facilmente será tratado como um “diferente-igual”, ou seja, “diferente” por sua condição de portador de necessidades especiais, mas ao mesmo tempo igual” por interagir, relacionar-se e competir em seu meio com recursos mais poderosos, proporcionados pelas adaptações de acessibilidade de que dispõe. É visto como “igual” na medida em que suas “diferenças” cada vez mais são situadas e se assemelham com as diferenças intrínsecas existentes entre todos os seres humanos. Esse indivíduo poderá, então, dar passos maiores em direção à eliminação das discriminações, como consequência do respeito conquistado com a convivência, aumentando sua autoestima, porque passa a poder explicitar melhor seu potencial e pensamentos. (DAMASCENO, 2001).
    O aperfeiçoamento do trabalhador pode ser importante e necessário, pode ser condição primeira para qualquer trabalhador almejar disputar um posto de trabalho, mas não é por si só suficiente para acabar com o desemprego e a exclusão social. “Se fosse aperfeiçoada a educação de todos os trabalhadores na força de trabalho, mesmo assim alguns continuariam marginais, mas “sua marginalidade”, então, apareceria associada com outras simples características isoladas” (Braverman, 1987, p. 318). 
    O trabalhador com a responsabilidade de qualificar-se e, ao mesmo tempo, sem referência do que seja qualificação, quando demitido, ou diante da ameaça de demissão, sente-se culpado por não ter estudado mais, isto independentemente do quanto tenha estudado até então, e sofre. 
    “São levados a se considerar indignos da sociedade, e sobretudo responsáveis pela sua própria situação, que julgam degradante (já que degrada) e até censurável. Eles se acusam daquilo de que são vítimas” (Forrester, 1997, p.11). “A noção de que as condições mutáveis do trabalho industrial e de escritório exigem uma população trabalhadora cada vez “mais instruída”, “mais educada” e assim “superior”, é uma afirmação quase universalmente aceita na fala popular e acadêmica” (Braverman, 1987, p. 359). Para este autor, os termos instrução e qualificação são vagos e imprecisos, embora atualmente sejam utilizados como se houvesse consenso na compreensão do que significam. O termo qualificação sugere referir-se ao domínio de uma técnica apreendida após anos de treinamento. 
    Braveman cita o exemplo do cocheiro que além de ter habilidade com os animais precisava entender de carroça, do manejo de ambos, etc. Entretanto, ainda que o tempo necessário para tornar-se um bom cocheiro seja muito maior do que o necessário para tornar-se motorista, este último é considerado mais qualificado. O tempo necessário para aprender operar uma máquina sofisticada pode ser umas poucas semanas e o operário será considerado mais qualificado que o motorista, isto porque a valorização da qualificação está sempre atrelada às necessidades momentâneas do mercado e não a apropriação de algum ofício, e, mais ainda, não traz qualquer garantia de emprego para o trabalhador que consegue acompanhar tais evoluções (pesquisa CUT/PUC, 1997, p.19) 

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